Muitas crianças não têm acesso à smartphones, notebooks e internet  para darem continuidade aos estudos em casa

O Brasil está no grupo dos países com mais tempo de escolas fechadas desde o início da pandemia, é o que aponta o relatório Education at Glance, divulgado neste mês de setembro, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – o chamado “clube dos países ricos”, que avalia aspectos da educação de seus 38 países-membros e de países parceiros, que é o caso do Brasil.

Segundo a pesquisa, até o fim de junho, de 46 países avaliados no relatório, 52% deles haviam fechado suas escolas por 12 a 16 semanas e 28% as mantiveram fechadas por 16 a 19 semanas. O Brasil, onde boa parte das escolas permanecem fechadas, está com 16 semanas contabilizadas até 30 de junho. Em média, porém, os países da OCDE haviam mantido suas escolas fechadas por 14 semanas até o fim de junho. Outros 17% dos países iniciaram a reabertura de suas escolas após no máximo 12 semanas fechadas. No Brasil, o estado de São Paulo já tem previsão de reabertura a partir de outubro, para outros estados no entanto, ainda não há datas definidas.

Neste contexto, quais podem ser os impactos pós pandemia? Além da evasão e do abandono escolar, destaco o desemprego entre os jovens. Isso porque o ensino  profissionalizante faz parte do Plano Nacional de Educação e pode ser um escudo protetor, ajudando o aluno a entrar no mercado de trabalho em empregos mais qualificados e mais bem remunerados, mas é uma modalidade que não tem recebido a atenção necessária.

E não é só isso – um quadro que já era preocupante no Brasil deverá se agravar: a desigualdade social. Muitas crianças não têm acesso à smartphones, notebooks e internet  para darem continuidade aos estudos em casa.

Fazendo um gancho com o resultado do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa) de 2019, vivemos uma estagnação com grandes distâncias entre alunos ricos e pobres. Quanto maior a renda do estudante, melhor a sua performance em exames  e, essa realidade que separa alunos de diferentes classes sociais está se aprofundando. Com a pandemia, a tendência é que a qualidade da Educação nas redes públicas de ensino se agrave. Como consequência, o desempenho dos alunos também.

A pandemia expôs nossa vulnerabilidade à crises e revelou como é precário o sistema educacional do nosso país. Por outro lado, tudo isso resultou na imersão da cultura digital, no uso de novas tecnologias (para alguns), somadas à possibilidade dos professores ampliarem suas estratégias de ensino. No geral, a capacidade de reagir eficientemente no futuro dependerá da preparação dos governos.

Na Câmara dos Deputados continuo trabalhando por melhores condições no ensino, defendendo especialmente a primeira infância, período fundamental para dar suporte aos estudantes na vida adulta. Também fui a favor pela aprovação do novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), para ampliação gradual de recursos na Educação. Sigo firme acreditando que só um ensino de qualidade transforma um país.

*Maria Rosas é deputada federal pelo Republicanos São Paulo e secretária estadual do Mulheres Republicanas SP

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