Quanto maior o acesso, mais as pessoas se tornam autônomas, ascendendo a economia do país

 

Em tempos de mudança de comportamento social pós-coronavírus, uma área ganha destaque – a tecnologia. Seja nas relações de trabalho, na política, na educação, muitos são os setores que, mais do que antes, agora dependem do mundo digital. Mas quais são os caminhos para garantir a democratização, a inclusão tecnológica e digital às pessoas que não tem acesso, dada a dimensão territorial brasileira e a falta de infraestrutura em algumas regiões?

Embora o Brasil registre mais de 230 milhões de smartphones ativos, de acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas de abril/2019, apenas quatro em cada 10 brasileiros, em 2018, tinham acesso a internet, segundo estatística do IBGEI. A inclusão digital e a tecnológica, portanto, devem caminhar de mãos dadas para que assim sejam capazes de promover desenvolvimento social, se as considerarmos como ativo para auxiliar a redução de desigualdades. Quanto maior o acesso, mais as pessoas se tornam autônomas, ascendendo a economia do país.

Contar com iniciativas da sociedade civil, do terceiro setor e dos negócios de impacto social que buscam resolver as questões ligadas a inclusão faz diferença. Aos que já estão inseridos e são fluentes no uso das novas tecnologias, cabe vigilância em seus conteúdos, compromisso com a verdade (principalmente agora, que tanto debatemos o fake news) e em especial, movimentos para massificar o acesso. Na esfera governamental, com políticas públicas concretas será possível integrar toda a população. 

Lembrando que a inclusão digital e tecnológica também inclui acessibilidade às pessoas com deficiência e, na Câmara, tenho trabalhado neste sentido. Um dos projetos que apresentei foi o PL 3503 de 2019, que sugere a instalação, nos aparelhos eletrônicos como computadores e telefones celulares, de ferramenta para tradução dos conteúdos digitais para a Língua Brasileira de Sinais.

Outro aspecto é tornar a inclusão digital de fato, comunicativa.  De acordo com pesquisadores desta área, a inclusão digital compreende o acesso, a alfabetização digital e a apropriação de tecnologias. Ter acesso não significa necessariamente saber ou conseguir usar as tecnologias e se comunicar, por isso, inclusão digital também significa usabilidade.

E agora, a usabilidade também torna-se um mecanismo na interação política entre sociedade civil e governo. Um exemplo disso é o uso da tecnologia nas eleições.  Desde o início do mês de junho, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou a realização de modo virtual as convenções partidárias para a escolha dos candidatos nas eleições municipais deste ano, remarcada para o dia 15 de novembro, tendo em vista as recomendações de distanciamento social durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A permissão para a realização das convenções no formato virtual atendeu à consulta pública feita pelo Republicanos no dia 6 de maio, com o objetivo de zelar pela proteção da coletividade durante a pandemia da Covid-19.

A democratização da tecnologia e da inclusão digital, portanto, se faz necessária e é urgente. Este acesso, de modo integrado, e à todos, pode ser um aliado no desenvolvimento do país e na autonomia da população.

*Maria Rosas é deputada federal pelo Republicanos São Paulo e secretária estadual do Mulheres Republicanas SP

Related Posts