Além de uma exigência da lei, a acessibilidade digital é uma necessidade real

Se tem uma área que ganhou força durante todo o ano de 2020, foi a tecnologia. Por meio dela, avançamos nos canais de e-commerce, aulas virtuais e home office. Mas como foi viver toda essa transformação tecnológica para mais de 45 milhões de pessoas que têm algum tipo de deficiência no Brasil? Será que a tecnologia veio acompanhada de acessibilidade digital?

Um estudo feito pelo Movimento Web para Todos, em parceria com a BigData Corp, mostrou que dos 14 milhões de sites ativos no Brasil, 99% não estão acessíveis para pessoas com deficiência. Além de uma exigência da lei, a acessibilidade digital é uma necessidade real, que envolve tanto as pessoas que precisam ter acesso aos conteúdos online como também é uma forma para as organizações ampliarem seu alcance.

Na Câmara, tenho trabalhado neste sentido. Um dos projetos que apresentei foi o PL 3503 de 2019, que sugere a instalação, nos aparelhos eletrônicos como computadores e telefones celulares, de ferramenta para tradução dos conteúdos digitais para a Língua Brasileira de Sinais. 

Quando uma empresa corresponde às expectativas dessas pessoas, respeitando a diversidade e atendendo os interesses de cada um, reflete uma imagem positiva não somente para os potenciais usuários do seu site, mas para todos que de alguma forma convivem com eles, como seus familiares e amigos. Isso mostra o quanto a acessibilidade digital tem sido cada vez mais fundamental na vida das pessoas e que é muito importante pensar de forma inclusiva. 

É importante lembrar que o conceito de acessibilidade deve fazer parte de todo o planejamento de conteúdo e programação em todos os canais de comunicação que uma empresa irá disponibilizar. Existem potenciais consumidores atrás das telas que esperam ter a melhor experiência de compra. Torná-lo mais acessível é fundamental para transmitir segurança, confiança e estabelecer uma relação mais próxima com o cliente.

E pensando no home office e nas aulas virtuais, teriam os principais aplicativos de reuniões e as plataformas educativas atendido bem a este público? Os países membros da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil faz parte, possuem um acordo que diz respeito às normas sobre Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, responsabilizando-se por adotar medidas acessíveis. Isso vale para tudo, inclusive, para o lazer. 

Já na área de turismo, recentemente o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2875/2019, no qual sou relatora. A matéria altera a Lei Brasileira de Inclusão para dispor sobre requisitos mínimos de acessibilidade em praias. De acordo com o projeto, uma praia só é considerada acessível quando há adaptações em sua infraestrutura e disponibilização de ajudas técnicas, que vai desde a ampla divulgação ao público (que pode ser uma comunicação digital) até a parte estrutural. 

Em um momento em que quase tudo está convergindo para os canais digitais, a acessibilidade digital tem tudo a ver com um futuro mais próspero e inclusivo. Pense nisso!

 

*Maria Rosas é deputada federal pelo Republicanos e coordenadora do movimento Mulheres Republicanas

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