Governador apresentou balanço da gestão e viu adversário fugir de questionamentos relevantes sobre PCC e incentivo a municípios
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição ao Governo de São Paulo, participou neste domingo (9/8) do primeiro debate das Eleições 2026, na sede do Grupo Bandeirantes. Tarcísio chegou ao local ao lado da primeira-dama Cristiane Freitas e foi acompanhado pelo vice-governador Felício Ramuth, pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes e pelos candidatos ao Senado, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP).
Ao abrir o debate, Tarcísio agradeceu à população de São Paulo pela confiança renovada ao longo do mandato. Na primeira pergunta, sobre educação, o governador destacou os avanços na alfabetização na idade certa e anunciou a ampliação da agenda para os próximos anos, com o lançamento do Pacto pela Matemática, o uso de Inteligência Artificial na Educação e a ampliação das escolas em tempo integral.
Na área de segurança, Tarcísio afirmou que o Estado registra os melhores indicadores de criminalidade da série histórica. “Nós temos o menor indicador de homicídio de toda a história. Nós temos o menor indicador de latrocínio de toda a história. Nós temos o menor indicador de roubos e furtos de toda a história”, declarou, citando ainda a queda nos roubos de carga e de veículos desde o início da série, em 2001.
O governador também detalhou operações contra o crime organizado nos setores de combustíveis e transportes, citando a atuação do PCC identificada em investigações recentes. Ao mencionar a Operação na empresa de ônibus Transunião, afirmou que o inquérito atingiu diretamente um aliado do adversário: “A última operação contra a Transunião pega justamente um vereador do PT, o vereador Senival Moura. Ele foi alvo dessa operação envolvido com a lavagem de dinheiro do PCC”. A gestão Tarcísio já realizou mais de 500 operações em parceria com o Ministério Público e a Polícia Federal.
O governador ressaltou ainda o aumento do efetivo policial, o maior dos últimos quatro mandatos no Estado, a realização dos dois maiores concursos da história da Polícia Civil, o reajuste salarial da categoria e o investimento em tecnologia, com 126 mil câmeras e sensores instalados no Estado para apoiar a identificação de veículos roubados e a prisão de foragidos. “A gente não vai se esconder atrás da estatística. A gente sabe que por trás da estatística tem pessoas que estão sofrendo”, disse, ao defender que a gestão segue avançando no combate à criminalidade.
Tarcísio apresentou dados para reforçar o avanço na Segurança: uma queda de 35% no roubo de veículos, o menor patamar da história, e a marca de 173 dos 645 municípios paulistas sem nenhum registro de roubo em 2025. Também reforçou que quase metade das cidades do Estado não teve nenhum homicídio no mesmo período.
O governador também apresentou dados sobre combate à violência contra a mulher, defendendo que São Paulo vem obtendo bons resultados graças à ampliação da rede de proteção, com 144 delegacias da mulher, 235 salas DDM funcionando 24 horas, o protocolo “Não Se Cale” contra o assédio e o programa Espaço Lilás, voltado ao atendimento e encaminhamento de vítimas pela Polícia Militar. “Nós estamos já no segundo mês consecutivo com redução dos indicadores. Isso mostra que a política pública está funcionando”, disse.
Na área da saúde, Tarcísio afirmou ter encontrado, no início do mandato, um cenário de calamidade no Estado, com 8 mil leitos fechados, resultado do congelamento da tabela de remuneração do SUS, do Governo Federal. Como resposta, o governador citou a criação da Tabela SUS Paulista, financiada com recursos do Tesouro estadual, que paga valores muito superiores aos praticados pelo SUS. A medida permitiu reabrir 8.400 leitos desde o início do mandato, além da inauguração de 14 hospitais. “Nunca se inaugurou tanto hospital, nunca se abriu tanto leito como neste mandato”, afirmou.
Na área de saneamento básico, o governador citou avanços na universalização do tratamento de esgoto em diversas regiões do Estado, como a cidade de Guarulhos que saiu de 2% de tratamento de esgoto em 2019, para 45% atualmente, com projeção de chegar a 78% até o fim do ano.
Tarcísio afirmou que cerca de 2 milhões de pessoas no Estado passaram a ter acesso à água tratada graças à privatização da Sabesp. O governador também citou investimento de 8,5 bilhões de reais em saneamento na Baixada Santista, com a construção de uma nova adutora em São Vicente, três novos reservatórios e obras voltadas a resolver o antigo problema de falta d’água na região.
Tarcísio criticou o governo federal pela demora na liberação de financiamentos internacionais destinados a obras no Estado, o que vem prejudicando a população paulista. “Por que que os nossos financiamentos com o Banco Europeu de Investimento e com o Banco Mundial estão travados na Casa Civil? Por que eles não foram enviados para o Senado?”, questionou, citando ainda recursos do Banco do Brasil parados há meses no Ministério da Fazenda para a extensão da Linha 5 do Metrô até o Jardim Ângela e para a duplicação da rodovia entre Caraguatatuba e Ubatuba.
O governador também apresentou números sobre o apoio do Estado às prefeituras paulistas, promovendo os dois maiores repasses da história a municípios em um único exercício: “A gente mandou para os municípios 9,6 bilhões de reais no ano de 2025”, afirmou, citando ainda os 8,9 bilhões de reais repassados em 2024 e os 4,8 bilhões de reais destinados já no primeiro ano de mandato, maior volume para um início de gestão.
Sobre transporte, Tarcísio listou uma série de obras de mobilidade em andamento ou já concluídas: como as linhas 17 e 6 do Metrô, com seis novas estações já entregues; a expansão da Linha 2, com 17 quilômetros para levar o sistema a Guarulhos; as obras da Linha 4, que vai chegar a Taboão da Serra; a expansão da Linha 15; a contratação da Linha 20, que vai integrar o metrô à região do ABC; e os projetos das linhas 17, com extensão a Paraisópolis, e 22, com previsão de chegar a Cotia. “A gente tem entrega. A gente não vive de promessa, não. A gente vive de resultado”, declarou.
Fim da Cracolândia
Um dos pontos altos foi o tema Cracolândia. O governador questionou diretamente Haddad sobre as razões do insucesso do programa Braços Abertos, que ficou mais conhecido como Bolsa Crack, adotado pela gestão do petista, e cobrou do adversário compromisso com a continuidade do trabalho e da rede de assistência montada pelo Estado, responsável pelo fim da Cracolândia.
“O primeiro atributo que nós tivemos ao longo desse mandato é coragem”, afirmou, destacando como exemplo a desarticulação do armazém do tráfico na Favela do Moinho. O governador relembrou a participação de Haddad em um evento com a presença de um dos chefes do tráfico na região. “Nós temos uma cena ruim, que é a cena de membros do poder, inclusive o Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho”.
Tarcísio de Freitas chamou a atenção para as tentativas de Haddad de desconstruir os resultados consolidados e positivos no Estado. “Ele quer desconstruir tudo, ele quer implodir tudo, ele quer começar do zero, e esse é o grande risco que nós temos”, declarou.
Tarcísio também questionou Haddad sobre a paralisação de obras de infraestrutura associadas a esquemas de corrupção investigados pela Operação Lava Jato, perguntando diretamente se o PT já teria feito uma autocrítica interna sobre o tema. “Eu quero saber o seguinte: o PT já fez algum mea-culpa acerca disso? Vocês internamente conversam sobre isso? Isso é um tema para vocês? Isso preocupa?”, questionou. O petista preferiu fugir do assunto.
O embate também envolveu críticas de Tarcísio à gestão de Haddad à frente da Prefeitura de São Paulo. Citou promessas não cumpridas pelo ex-prefeito, como a entrega de UPAs, hospitais e UBS, além do compromisso de zerar a fila de creches. “Prometeu entregar hospitais, três hospitais, não entregou nenhum”, afirmou.
Perguntas sem resposta
Ao longo do debate, Tarcísio dirigiu a Haddad uma série de questionamentos que não foram respondidos pelo adversário.
Depois de detalhar o modelo de PPPs na construção de escolas, o governador perguntou a Haddad se ele conhecia moradores da Vila São Francisco, em Poá, e do bairro Santa Inês, em Caieiras — regiões beneficiadas por obras do governo estadual. O adversário não respondeu.
Tarcísio ainda questionou Haddad sobre o Incentivo de Gestão Municipal (IGM), programa que amplia repasses a prefeituras com base em indicadores de eficiência, perguntando diretamente se o petista pretendia manter a iniciativa. Mais uma vez não houve resposta.
O governador questionou Haddad sobre quais seriam os planos para garantir resiliência hídrica ao Estado, mas o adversário não soube responder. Já Tarcísio demonstrou conhecimento e trabalho, ao detalhar uma série de obras na área, como a construção das barragens, a interligação das bacias e as inaugurações de piscinões.
Considerações finais
Ao encerrar sua participação no debate, Tarcísio relembrou o pedido de confiança feito ao eleitorado paulista quatro anos antes e afirmou ter buscado honrar cada voto recebido. “Eu tenho muito orgulho de ter sido governador de São Paulo nesse período, de apresentar hoje os menores indicadores criminais da história. Estamos satisfeitos? Não. A gente sabe que tem muito para fazer”, declarou.
O governador reafirmou compromissos para o novo mandato, como a manutenção da Tabela SUS Paulista, a ampliação das cirurgias eletivas e a incorporação de telemedicina e inteligência artificial ao serviço público de saúde. Também garantiu a continuidade das obras do metrô e ao programa habitacional Casa Paulista. “E é por isso que eu peço mais essa oportunidade para continuar trabalhando com vocês”, concluiu.

