Cidade de São Paulo duas centrais mecanizadas de triagem com capacidade diária para até 250 toneladas de recicláveis cada, mas recebem somente metade desse volume

O lixo que produzimos é uma responsabilidade de todos nós e, essa é a orientação que devemos dar as nossas crianças, começando com bons exemplos em casa. De acordo com Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil recicla apenas 3% de suas 79 milhões de toneladas de lixo produzidas por ano, embora tenha potencial para 30%. Mas você sabe por que o Brasil recicla tão pouco o lixo que produz?

Uma das causas é que o serviço de coleta seletiva não abrange todos os estados e bairros. Na prática, segundo um relatório de 2018 da ONG Compromisso Empresarial de Reciclagem (Cempre), apenas 17% da população do país é atendida pela coleta seletiva. A cidade de São Paulo, por exemplo, tem desde 2014 duas grandes centrais mecanizadas de triagem com capacidade diária para até 250 toneladas cada, mas recebem somente metade desse volume. Essa capacidade chega a pouco mais de 700 toneladas se somadas à rede de cooperativas de catadores manuais.

Existem outros fatores que desfavorecem a reciclagem no Brasil, como a falta de políticas públicas que incentivem a redução de embalagens desnecessárias por parte de empresas. Outro aspecto é que existe desinteresse industrial em razão da falta de vantagens econômicas da reciclagem. Enquanto algumas embalagens têm logística de reaproveitamento como produtos de aço, alumínio e papelão, outras são descartadas pela falta de retorno econômico, como o plástico.  Por isso, nem tudo é reciclado e mesmo que o item seja reciclável não significa que ele será, pois depende da demanda do objeto, seu valor de mercado, sua facilidade de armazenamento e processamento do item. É preciso um incentivo para que as pessoas atuem nessa área de negócios, com mecanismos que favoreçam as indústrias que consumam o material reciclado e o tornem competitivo em relação ao material puro. A questão é que os impostos são um empecilho, já que o sistema tributário brasileiro taxa mais a matéria-prima reciclada do que a virgem.

Outro dificultador e talvez o mais grave deles é a falta de informação. A maioria dos brasileiros ainda desconhece o funcionamento da reciclagem. Uma pesquisa do Ibope de 2018 mostra que 66% da população sabe pouco ou nada sobre coleta seletiva, e 39% não separam o lixo. Outro levantamento feito em 2019 pelo instituto Ipsos, revelou que 54% dos brasileiros não entendem como funciona a reciclagem em sua região e assim, o sistema todo funciona mal porque não investimos em educação. E você sabe o que é reciclagem e a diferença entre lixo, resíduo e rejeito?

Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), reciclagem é o processo em que há a transformação do resíduo sólido que não seria aproveitado, com mudanças em seus estados físico, físico-químico ou biológico, de modo a atribuir características ao resíduo para que ele se torne novamente matéria-prima ou produto.  Lixo ou resíduo pode ser reciclado ou reaproveitado, já o rejeito só pode ter destinação controlada em aterros. Hoje, é possível reciclar resíduos por meio de postos de entrega voluntária da solicitação de serviço de coleta seletiva em sua região, por prefeituras municipais e por meio de serviços privados. Com o aumento crescente na produção de resíduos e no lixo oceânico, a reciclagem assumiu um papel de extrema importância e muitos países já tem essa preocupação, apoiam programas ambientais e de reciclagem.

E como você pode colaborar? Primeiro, é muito importante reduzir sua quantidade de resíduos – a compostagem doméstica (técnica que consiste em usar a matéria orgânica como adubo e enriquecer a terra) é essencial para isso em termos de resíduos orgânicos; quanto aos recicláveis, a mudança de hábitos é fundamental. Sempre que puder, evite embalagens ou use produtos com a embalagem reutilizada – se não for possível, procure pelo menos por embalagens recicladas e/ou recicláveis. Também é importante se informar na prefeitura do seu município se há coleta seletiva no seu bairro. É importante higienizar os itens e separá-los.  É uma postura cidadã participar e apoiar ideias verdes que ajudem a disseminar o conceito de reciclagem no Brasil e no mundo.

Lidar com o destino final do lixo é outro passo essencial. No Brasil, o que não é reciclado vai parar em aterros sanitários, lixões ou os chamados aterros controlados. O mesmo relatório da Abrelpe revela que 59,5% (118,631 toneladas) do lixo produzido no país por dia acaba em aterros sanitários; 23% (45,830 toneladas) vão para os aterros controlados e 17,5% (34,850 toneladas) se destinam aos lixões – que devem ser extintos até 2021, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Sem o manejo correto, os resíduos podem cair em rios e córregos e, cedo ou tarde, chegam ao mar. O problema do lixo é sistêmico e todos têm sua parcela de responsabilidade na solução: a indústria, o governo e você. Com atitudes simples, você pode contribuir com a saúde do planeta.

 

*Maria Rosas é deputada federal pelo Republicanos São Paulo e secretária estadual do Mulheres Republicanas SP

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